Categorias
Organizando as Finanças

“Carol, eu odeio Finanças Pessoais. Eu juro que tento e sei que preciso, mas é um sofrimento. Tenho solução?”

“Carol, eu odeio Finanças Pessoais. Eu juro que tento e sei que preciso, mas é um sofrimento. Tenho solução?” – Juliana, por whatsapp.

Oi Ju! Obrigada pela sinceridade!!!

Gosto disso e é claro que tem solução! É chato falar de finanças quando tudo o que se tem para falar é sobre contas, multas, juros e cobradores. Quando trocamos essas palavras por viagens, passeios, médicos de qualidade, estudo diferenciado e realização de sonhos, falar sobre dinheiro é consequência e acontece de forma natural.

Tem gente que se sente confortável ao falar da sua vida financeira. E tem gente que se sente extremamente desconfortável. Não posso forçar você a falar de um tema sobre o qual não sente afinidade, mas me comprometo a descomplicar essa “chatice” toda para você, ok?

Vou fazer aqui um passo a passo simples para você, primeiro de tudo, controlar suas finanças, de forma bem simplificada.

Ao falar de Finanças Pessoais acabamos trazendo para o assunto os temas como orçamento, fluxo de caixa e planejamento. Mas não se assuste, pois essas palavras só causam estranheza quando não sabemos do que se trata. Já falando e finanças pessoais pelo lado prático da coisa, sabe quando “as contas nunca fecham”? Quando nunca “sobra” dinheiro para investir? Quando não se consegue planejar o próximo final de semana, quanto mais o próximo ano? É entendendo sobre Finanças Pessoais que você sai dessa roubada.

Eu sei que você não lembra, e eu também não, mas aprender a andar foi difícil quando você era bebê. Você caiu, bateu nos móveis, chorou… Mas aprendeu. Eu imagino que você tenha, anos mais tarde, aprendido a andar de bicicleta, patins ou mesmo jogar bola. Muito provavelmente você  caiu, ralou o joelho, chorou de novo. Mas mesmo que não tenha se tornado uma atleta, você aprendeu a se virar nessas modalidades. E eu também imagino que você tenha passado pelas terríveis provas de final de ano da escola ou faculdade. Foram horas de estudo, de cansaço, de, quem sabe, certo sofrimento por ter deixado sua família e lazer de lado nessa fase, mas você superou. Você já entendeu onde quero chegar, não é? Finanças Pessoais é só mais um aprendizado na sua vida. Não trate sua vida financeira como monstro, porque não é. Seu dinheiro é seu amigo. Você só precisa dar ordens e colocar regras nele. Separei aqui umas dicas para você e a primeira não tem nada a ver com matemática:

Se conheça.

Parece óbvio, mas tudo isso começa em “conhecer-se financeiramente”. Muita gente vive um dia de cada vez  sem ao menos olhar com frequência o extrato de sua conta bancária. Também gasta sem parar para pensar se aquele item vale a quantidade de horas que foi preciso trabalhar para poder pagar o preço do item e ainda, é comum que passe despercebido o quanto essa pessoa pode ser propensa a gastar mais em determinados estados mentais ou épocas do ano. Por isso, nunca é demais dizer: o básico é o mais importante. Comece perdendo o medo de olhar sua conta corrente.

Você vai precisar anotar.

Como você não pode controlar o que não vê, é fundamental que você  saiba para onde exatamente seu dinheiro está indo. Nesse instante, pouco importa se fará isso através de um aplicativo, uma planilha ou usando um caderno. O importante é que faça, para que conheça exatamente como está gastando seu dinheiro para que se identifique possíveis desperdícios. E ao identificá-los, corte-os sem dó. Assim, você vai chegar à terceira dica:

Feche o ralo por onde escoa dinheiro sem eu você perceba.

Como fazemos isso? Renegociando nossas suas despesas fixas! Sabe aqueles 400 canais de TV, mas que só assistimos 2? Cancele! Os 600 minutos de voz de celular, mas que só usamos o WhatsApp? Mude para um plano mais barato. Não existe nenhum gasto que não possa ser revisto, nem mesmo moradia. E eu sei que pedir cancelamento ou redução do plano é uma canseira. Mas 5 aqui, 10, ali, 15 acolá podem significar uma viagem no final do ano. Vale a pena, mesmo sendo chato. E chegamos no ponto de você separar seu orçamento em potes.

Aplique a regra 50/30/20, que é muito simples e ajuda bastante quem não sabe por onde começar.

Cinquenta por cento do seu orçamento deve ir para as suas despesas fixas, 30% para as suas despesas variáveis e 20% para seus projetos futuros. Lembrando que despesa fixa é tudo aquilo que não muda, mesmo que você não use. Condomínio e mensalidade da escola, por exemplo. Variável é tudo aquilo que varia de acordo com o consumo – alimentação fora e lazer em geral. E por projetos futuros, entenda que, nesse início, podem ser desde a viagem das próximas férias como até começar a pensar na sua aposentadoria. Mais tarde, quando poupar e investir for algo mais natural e cotidiano, vamos separar o seu pote de longo prazo em outros menores, ok?

Falando em aposentadoria, a dica numero 5 é referente à poupança, e não estou falando do produto financeiro chamado poupança, e sim do ato de poupar.

Pare de perder dinheiro com a poupança!

Se sua conta poupança é posterior a 2012, seu dinheiro lá está sendo corroído pela inflação. Atualmente há produtos tão seguros quanto a poupança e também isentos de IR para você investir melhor. Mas para isso você vai precisar sair dos bancos. E aí vem o minha dica numero 6:

Invista direito.

Eu já falei mais de uma vez que os grandes bancos são ótimos para você ter sua conta corrente, cartão de crédito… Mas investimentos, não. O lucro deles vem de emprestar dinheiro aos correntistas e não de receber seu dinheiro emprestado para investir. Boas práticas em finanças pessoais passam por escolher parceiros que te ofereçam melhores oportunidades a custos menores.

E se você me falar que não sobra para investir? Eu vou te dizer a minha dica numero 7:

Desapegue da frase que não sobra nada para poupar.

A grande sacada para você investir religiosamente é, assim que receber seu salário, já destinar os 20% dele para investimentos, assim você não espera sobrar na sua conta (porque nunca sobra).

Eu não poderia encerrar esse texto sem falar sobre o cartão de crédito. Ele será seu inimigo enquanto você não aprender a usá-lo e essa é a minha dica numero 8.

Aprenda a usá-lo.

O cartão, de fato, não deixa com que você “veja” o dinheiro sendo gasto na hora. É muito diferente quando compramos coisas com dinheiro vivo, por exemplo. A psicologia econômica explica que analisamos muito mais gastos em dinheiro do que no cartão. Mas quem tem coragem de andar com a carteira recheada por aí? Estipule metas de gastos semanais no cartão e se atenha a elas. Gastou além, deixe-o em casa. Gastou abaixo da meta? Tome um café gostoso, se recompense com um mimo (baratinho) e invista essa sobra, mesmo que pouquinho. Ganhar juros é sempre a melhor opção.

Fale de dinheiro dentro de casa.

Esse assunto não pode ser tabu. Dinheiro faz parte da nossa vida e ocupa um lugar importante nela. Ou aprendemos a jogar o jogo ou ficamos para trás. Falar de dinheiro é um tema tão normal e comum quanto qualquer outro. Quando vivemos em família é fundamental que todos se engajem em torno dos objetivos comuns da casa. E com finanças pessoais não é diferente: se todos estiverem em sintonia, os resultados serão muito melhores.

E a minha décima e ultima dica é:

Continue procurando fontes confiáveis para te ajudar com a sua vida financeira.

A internet é terra de ninguém. Há muita gente mais interessada em likes e numero de seguidores do que em ajudar realmente quem precisa de educação financeira. Desconfie de posts dizendo “invista x e receba y daqui 6 meses ou 1 ano”. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura e, além disso, se trata apenas de um conteúdo com o intuito de ganhar curtidas. Continue por perto e me conte suas conquistas. Tenho certeza de que o passo mais difícil já foi dado. Você não precisa se transformar em nenhuma expert em finanças pessoais, basta saber cuidar certinho da sua vida financeira. Quando tudo estiver sob controle, bons profissionais podem ajudar você com a parte técnica dos investimentos. Não sofra! Você merece ter paz financeira.

Beijos e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais e investimentos. Até mais!